sábado, 18 de agosto de 2012

Inicio do PEFPD

Uergs inicia mais três turmas do Programa Especial de Formação Pedagógica de Docentes

Iniciaram na sexta-feira, 10 de agosto, mais três turmas do Programa Especial de Formação Pedagógica de Docentes (PEFPD), nas Unidades da Uergs em Porto Alegre, Novo Hamburgo e Cruz Alta. Com duração de três semestres, as aulas do PEFPD são ministradas nas sextas-feiras à noite e aos sábados, durante a manhã e tarde.
O PEFPD oferece formação pedagógica a tecnólogos ou bachareis que atuam como docentes. O Programa é oferecido pela Uergs, em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), por meio da Plataforma Paulo Freire.

Unidade em Cruz Alta fez reunião de planejamento com professores do Programa

A Unidade de Cruz Alta promoveu, no início de agosto, um encontro de integração entre os professores do Programa Especial de Formação Pedagógica de Docentes (PEFPD). Além da integração entre os docentes, a atividade teve o objetivo de discutir assuntos pertinentes aos planos de ensino, bibliografias, carga-horária, perfil da turma e orientações gerais. Participaram da reunião os professores Viviane Machado Maurente, Heilande Pereira da Silva, Maria da Graça Pieve, Dioni Maria dos Santos Paz, Fabrício Soares e Gilmar Azevedo.




Texto 1


Do bom uso do relativismo
Leonardo Boff *

Hoje pela multimídia, imagens e gentes do mundo inteiro nos entram pelos telhados, portas e janelas e convivem conosco. É o efeito das redes globalizadas de comunicação. A primeira reação é de perplexidade que pode provocar duas atitudes: ou de interesse para melhor conhecer que implica abertura e dialogo ou de distanciamento que pressupõe fechar o espírito e excluir. De todas as formas, surge uma percepção incontornável: nosso modo de ser não é o único. Há gente que, sem deixar de ser gente, é diferente. Quer dizer, nosso modo de ser, de habitar o mundo, de pensar, de valorar e de comer não é absoluto. Há mil outras formas diferentes de sermos humanos, desde a forma dos esquimós siberianos, passando pelos yanomami do Brasil até chegarmos aos sofisticados moradores de Alfavilles onde se resguardam as elites opulentas e amedrontadas. O mesmo vale para com as diferenças de cultura, de língua, de religião, de ética e de lazer.
Deste fato surge, de imediato, o relativismo em dois sentidos: primeiro, importa relativizar todos os modos de ser; nenhum deles é absoluto a ponto de invalidar os demais; impõe-se também a atitude de respeito e de acolhida da diferença porque, pelo simples fato de estar-aí, goza de direito de existir e de co-existir; segundo, o relativo quer expressar o fato de que todos estão de alguma forma relacionados. Eles não podem ser pensados independentemente uns dos outros porque todos são portadores da mesma humanidade. Devemos alargar, pois, a compreensão do humano para além de nossa concretização. Somos uma geosociedade una, múltipla e diferente.
Todas estas manifestações humanas são portadoras de valor e de verdade. Mas é um valor e uma verdade relativos, vale dizer, relacionados uns aos outros, auto-implicados, sendo que nenhum deles, tomado em si, é absoluto.
Então não há verdade absoluta? Vale o every thing goes de alguns pós-modernos? Quer dizer, o "vale tudo"? Não é o vale tudo. Tudo vale na medida em que mantém relação com os outros, respeitando-os em sua diferença. Cada um é portador de verdade, mas ninguém pode ter o monopólio dela. Todos, de alguma forma, participam da verdade. Mas podem crescer para uma verdade mais plena, na medida em que mais e mais se abrem uns aos outros.
Bem dizia o poeta espanhol António Machado: "Não a tua verdade. A verdade. Vem comigo buscá-la. A tua, guarde-a". Se a buscarmos juntos, no diálogo e na cordialidade, então mais e mais desaparece a minha verdade para dar lugar a Verdade comungada por todos.
A ilusão do Ocidente é de imaginar que a única janela que dá acesso à verdade, à religião verdadeira, à autêntica cultura e ao saber crítico é o seu modo ver e de viver. As demais janelas apenas mostram paisagens distorcidas. Ele se condena a um fundamentalismo visceral que o fez, outrora, organizar massacres ao impor a sua religião e, hoje, guerras para forçar a democracia no Iraque e no Afeganistão.
Devemos fazer o bom uso do relativismo, inspirados na culinária. Há uma só culinária, a que prepara os alimentos humanos. Mas ela se concretiza em muitas formas, as várias cozinhas: a mineira, a nordestina, a japonesa, a chinesa, a mexicana e outras. Ninguém pode dizer que só uma é a verdadeira e gostosa e as outras não. Todas são gostosas do seu jeito e todas mostram a extraordinária versatilidade da arte culinária. Por que com a verdade deveria ser diferente?

* Teólogo e professor