quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Texto: Professora Thais



Economia nacional e Educação: uma reflexão necessária

*Wenczenovicz, Thaís Janaina

O Brasil é, de fato, um dos grandes focos do mercado global. Quase que diariamente os meios de comunicação reforçam a idéia de nação que possui estabilidade política, sólidos alicerces macroeconômicos, avanços sociais, perspectivas de atração de investimentos e da capacidade de inovação em produtos e serviços. Já por outro lado, os mesmos meios de comunicação, empresários e diversos segmentos sociais apontam que para que o crescimento se mantenha ou avance teremos que urgentemente rever os níveis de escolaridade.
Mesmo certos de que o modelo macroeconômico brasileira é eficaz e, portanto acreditam no futuro, suas agendas tem se direcionado prioritariamente ao capital humano. O elemento humano é apontado hoje como um dos elementos fundamentais para o crescimento e a sustentação do desenvolvimento sócio-econômico. Também são assertivos quando sinalizam que esse elemento humano deve sem sombras de dúvidas “estar e passar pela escola”. Comumente há uma confusão conceitual entre ensino e educação, mas no concluir das intervenções e análises não se consegue dissociar a economia e o desenvolvimento sem esse órgão denominado escola.
Nesse aspecto temos que rapidamente nos perguntar: além da afirmação de sua essencialidade, quais outros esforços os segmentos públicos e privados tem desenvolvido por essa histórica instituição?
Rapidamente todos teriam várias justificativas.  Alguns muito otimistas apontariam as melhorias físicas. Outros o ingresso das tecnologias. Uma parcela menor citaria índices e estatísticas positivas quanto ao processo de universalização do ensino. E, numa escala menor-  bem menor -  teríamos algumas vozes que perguntariam sobre a essência da escola: o educador.
Parece desnecessário mas é sempre bom lembrar que o direito de acesso à educação gratuita e de qualidade faz parte da Declaração Universal dos Direitos Humanos, publicada em 1948. Desde então, uma série de outros tratados e convenções compartilhados pelos países membros das Nações Unidas aprofundaram-se e detalharam esse direito. Passados 63 anos, parece inaceitável testemunharmos autoridades e gestores públicos que exploram o assunto como um favor concedido ao cidadão, especialmente quando justificam sua inoperância no reconhecimento a quem habituou-se por chamar de célula indispensável no processo educativo: o educador.
Pergunto: como alguém que é indispensável no discurso pode ser tão mal remunerado? Como alguém que é indispensável pode esperar por anos e anos para ser  convidado a “concursar-se”? Como alguém que é indispensável precisa adaptar-se a cada novo gestor público federal, estadual e municipal a suas novas e milagrosas metas e linhas governamentais? Como alguém que é indispensável é substituído e “convidado” a atuar em área que não seja a sua  formação? Como...  e como?
Enfim,  a situação torna-se ainda mais deletéria quando maquiada por um discurso pseudoemocional e demagogo – tão presentes na cotidianidade  da cultura do otimismo do crescimento.

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* Docente universitária e pesquisadora. Pós-Doutora em História. Autora das obras: Montanhas que furam as nuvens!; Pequeninos Poloneses: cotidiano das crianças  (1920-1960); Máscaras do Corpo: da moral aos costumes e diversos artigos nacionais e internacionais.