Economia nacional e Educação: uma reflexão necessária
*Wenczenovicz, Thaís Janaina
O
Brasil é, de fato, um dos grandes focos do mercado global. Quase que
diariamente os meios de comunicação reforçam a idéia de nação que possui
estabilidade política, sólidos alicerces macroeconômicos, avanços sociais,
perspectivas de atração de investimentos e da capacidade de inovação em
produtos e serviços. Já por outro lado, os mesmos meios de comunicação,
empresários e diversos segmentos sociais apontam que para que o crescimento se
mantenha ou avance teremos que urgentemente rever os níveis de escolaridade.
Mesmo
certos de que o modelo macroeconômico brasileira é eficaz e, portanto acreditam
no futuro, suas agendas tem se direcionado prioritariamente ao capital humano.
O elemento humano é apontado hoje como um dos elementos fundamentais para o
crescimento e a sustentação do desenvolvimento sócio-econômico. Também são
assertivos quando sinalizam que esse elemento humano deve sem sombras de
dúvidas “estar e passar pela escola”. Comumente há uma confusão conceitual
entre ensino e educação, mas no concluir das intervenções e análises não se
consegue dissociar a economia e o desenvolvimento sem esse órgão denominado
escola.
Nesse
aspecto temos que rapidamente nos perguntar: além da afirmação de sua
essencialidade, quais outros esforços os segmentos públicos e privados tem
desenvolvido por essa histórica instituição?
Rapidamente
todos teriam várias justificativas. Alguns
muito otimistas apontariam as melhorias físicas. Outros o ingresso das
tecnologias. Uma parcela menor citaria índices e estatísticas positivas quanto
ao processo de universalização do ensino. E, numa escala menor- bem menor -
teríamos algumas vozes que perguntariam sobre a essência da escola: o
educador.
Parece
desnecessário mas é sempre bom lembrar que o direito de acesso à educação
gratuita e de qualidade faz parte da Declaração Universal dos Direitos Humanos,
publicada em 1948. Desde então, uma série de outros tratados e convenções
compartilhados pelos países membros das Nações Unidas aprofundaram-se e
detalharam esse direito. Passados 63 anos, parece inaceitável testemunharmos
autoridades e gestores públicos que exploram o assunto como um favor concedido
ao cidadão, especialmente quando justificam sua inoperância no reconhecimento a
quem habituou-se por chamar de célula indispensável no processo educativo:
o educador.
Pergunto:
como alguém que é indispensável no discurso pode ser tão mal remunerado? Como
alguém que é indispensável pode esperar por anos e anos para ser convidado a “concursar-se”? Como alguém que é
indispensável precisa adaptar-se a cada novo gestor público federal, estadual e
municipal a suas novas e milagrosas metas e linhas governamentais? Como alguém
que é indispensável é substituído e “convidado” a atuar em área que não seja a
sua formação? Como... e como?
Enfim, a situação torna-se ainda mais deletéria
quando maquiada por um discurso pseudoemocional e demagogo – tão presentes na
cotidianidade da cultura do otimismo do
crescimento.
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* Docente universitária e
pesquisadora. Pós-Doutora em História. Autora das obras: Montanhas que furam
as nuvens!; Pequeninos Poloneses: cotidiano das crianças (1920-1960); Máscaras do Corpo: da moral aos
costumes e diversos artigos nacionais e internacionais.
com muita propriedade.
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