Este blog tem como objetivo divulgar as atividades realizadas pelos professores e alunos do Programa Especial de Formação de Docentes, curso realizado em parceria entre a UERGS e o PARFOR/CAPES - turma de 2012 da Unidade da UERGS de Cruz Alta.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Texto: Professora Thais
Economia nacional e Educação: uma reflexão necessária
*Wenczenovicz, Thaís Janaina
O
Brasil é, de fato, um dos grandes focos do mercado global. Quase que
diariamente os meios de comunicação reforçam a idéia de nação que possui
estabilidade política, sólidos alicerces macroeconômicos, avanços sociais,
perspectivas de atração de investimentos e da capacidade de inovação em
produtos e serviços. Já por outro lado, os mesmos meios de comunicação,
empresários e diversos segmentos sociais apontam que para que o crescimento se
mantenha ou avance teremos que urgentemente rever os níveis de escolaridade.
Mesmo
certos de que o modelo macroeconômico brasileira é eficaz e, portanto acreditam
no futuro, suas agendas tem se direcionado prioritariamente ao capital humano.
O elemento humano é apontado hoje como um dos elementos fundamentais para o
crescimento e a sustentação do desenvolvimento sócio-econômico. Também são
assertivos quando sinalizam que esse elemento humano deve sem sombras de
dúvidas “estar e passar pela escola”. Comumente há uma confusão conceitual
entre ensino e educação, mas no concluir das intervenções e análises não se
consegue dissociar a economia e o desenvolvimento sem esse órgão denominado
escola.
Nesse
aspecto temos que rapidamente nos perguntar: além da afirmação de sua
essencialidade, quais outros esforços os segmentos públicos e privados tem
desenvolvido por essa histórica instituição?
Rapidamente
todos teriam várias justificativas. Alguns
muito otimistas apontariam as melhorias físicas. Outros o ingresso das
tecnologias. Uma parcela menor citaria índices e estatísticas positivas quanto
ao processo de universalização do ensino. E, numa escala menor- bem menor -
teríamos algumas vozes que perguntariam sobre a essência da escola: o
educador.
Parece
desnecessário mas é sempre bom lembrar que o direito de acesso à educação
gratuita e de qualidade faz parte da Declaração Universal dos Direitos Humanos,
publicada em 1948. Desde então, uma série de outros tratados e convenções
compartilhados pelos países membros das Nações Unidas aprofundaram-se e
detalharam esse direito. Passados 63 anos, parece inaceitável testemunharmos
autoridades e gestores públicos que exploram o assunto como um favor concedido
ao cidadão, especialmente quando justificam sua inoperância no reconhecimento a
quem habituou-se por chamar de célula indispensável no processo educativo:
o educador.
Pergunto:
como alguém que é indispensável no discurso pode ser tão mal remunerado? Como
alguém que é indispensável pode esperar por anos e anos para ser convidado a “concursar-se”? Como alguém que é
indispensável precisa adaptar-se a cada novo gestor público federal, estadual e
municipal a suas novas e milagrosas metas e linhas governamentais? Como alguém
que é indispensável é substituído e “convidado” a atuar em área que não seja a
sua formação? Como... e como?
Enfim, a situação torna-se ainda mais deletéria
quando maquiada por um discurso pseudoemocional e demagogo – tão presentes na
cotidianidade da cultura do otimismo do
crescimento.
______________________
* Docente universitária e
pesquisadora. Pós-Doutora em História. Autora das obras: Montanhas que furam
as nuvens!; Pequeninos Poloneses: cotidiano das crianças (1920-1960); Máscaras do Corpo: da moral aos
costumes e diversos artigos nacionais e internacionais.
sábado, 18 de agosto de 2012
Inicio do PEFPD
Uergs inicia mais três turmas do Programa Especial de Formação Pedagógica de Docentes
Iniciaram na
sexta-feira, 10 de agosto, mais três turmas do Programa Especial de
Formação Pedagógica de Docentes (PEFPD), nas Unidades da Uergs em Porto
Alegre, Novo Hamburgo e Cruz Alta. Com duração de três semestres, as
aulas do PEFPD são ministradas nas sextas-feiras à noite e aos sábados,
durante a manhã e tarde.
O PEFPD oferece formação pedagógica a
tecnólogos ou bachareis que atuam como docentes. O Programa é oferecido
pela Uergs, em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior (Capes), por meio da Plataforma Paulo Freire.
A Unidade de Cruz Alta promoveu, no início de agosto, um encontro de integração entre os professores do Programa Especial de Formação Pedagógica de Docentes (PEFPD). Além da integração entre os docentes, a atividade teve o objetivo de discutir assuntos pertinentes aos planos de ensino, bibliografias, carga-horária, perfil da turma e orientações gerais. Participaram da reunião os professores Viviane Machado Maurente, Heilande Pereira da Silva, Maria da Graça Pieve, Dioni Maria dos Santos Paz, Fabrício Soares e Gilmar Azevedo.
Texto 1
Do bom
uso do relativismo
Leonardo Boff *
Leonardo Boff *
Hoje pela multimídia, imagens e gentes do mundo inteiro nos entram pelos telhados, portas e janelas e convivem conosco. É o efeito das redes globalizadas de comunicação. A primeira reação é de perplexidade que pode provocar duas atitudes: ou de interesse para melhor conhecer que implica abertura e dialogo ou de distanciamento que pressupõe fechar o espírito e excluir. De todas as formas, surge uma percepção incontornável: nosso modo de ser não é o único. Há gente que, sem deixar de ser gente, é diferente. Quer dizer, nosso modo de ser, de habitar o mundo, de pensar, de valorar e de comer não é absoluto. Há mil outras formas diferentes de sermos humanos, desde a forma dos esquimós siberianos, passando pelos yanomami do Brasil até chegarmos aos sofisticados moradores de Alfavilles onde se resguardam as elites opulentas e amedrontadas. O mesmo vale para com as diferenças de cultura, de língua, de religião, de ética e de lazer.
Deste fato surge, de imediato, o relativismo em
dois sentidos: primeiro, importa relativizar todos os modos de ser; nenhum
deles é absoluto a ponto de invalidar os demais; impõe-se também a atitude de
respeito e de acolhida da diferença porque, pelo simples fato de estar-aí, goza
de direito de existir e de co-existir; segundo, o relativo quer expressar o
fato de que todos estão de alguma forma relacionados. Eles não podem ser
pensados independentemente uns dos outros porque todos são portadores da mesma
humanidade. Devemos alargar, pois, a compreensão do humano para além de nossa
concretização. Somos uma geosociedade una, múltipla e diferente.
Todas estas manifestações humanas são portadoras
de valor e de verdade. Mas é um valor e uma verdade relativos, vale dizer,
relacionados uns aos outros, auto-implicados, sendo que nenhum deles, tomado em
si, é absoluto.
Então não há verdade absoluta? Vale o every
thing goes de alguns pós-modernos? Quer dizer, o "vale tudo"? Não
é o vale tudo. Tudo vale na medida em que mantém relação com os outros,
respeitando-os em sua diferença. Cada um é portador de verdade, mas ninguém
pode ter o monopólio dela. Todos, de alguma forma, participam da verdade. Mas
podem crescer para uma verdade mais plena, na medida em que mais e mais se
abrem uns aos outros.
Bem dizia o poeta espanhol António Machado:
"Não a tua verdade. A verdade. Vem comigo buscá-la. A tua, guarde-a".
Se a buscarmos juntos, no diálogo e na cordialidade, então mais e mais
desaparece a minha verdade para dar lugar a Verdade comungada por todos.
A ilusão do Ocidente é de imaginar que a única
janela que dá acesso à verdade, à religião verdadeira, à autêntica cultura e ao
saber crítico é o seu modo ver e de viver. As demais janelas apenas mostram
paisagens distorcidas. Ele se condena a um fundamentalismo visceral que o fez,
outrora, organizar massacres ao impor a sua religião e, hoje, guerras para
forçar a democracia no Iraque e no Afeganistão.
Devemos fazer o bom uso do relativismo,
inspirados na culinária. Há uma só culinária, a que prepara os alimentos
humanos. Mas ela se concretiza em muitas formas, as várias cozinhas: a mineira,
a nordestina, a japonesa, a chinesa, a mexicana e outras. Ninguém pode dizer
que só uma é a verdadeira e gostosa e as outras não. Todas são gostosas do seu
jeito e todas mostram a extraordinária versatilidade da arte culinária. Por que
com a verdade deveria ser diferente?
* Teólogo e professor
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